April 16th, 2008

As mudanças que o tempo traz

Umas expressão contemporânea é: prazo de validade.

Atualmente tudo tem prazo de validade, só que não apenas os produtos, mas emoções, atividades, convivências. Percebo que algumas situações tem prazo de validade para serem vividas e esquecidas.

Olhar para o passado traz a incômoda sensação de "o que fiz", não, não foi tudo em vão, sei de muitas coisas que fiz, mas o que me incomoda são as que não fiz, onde perdi o pé e onde me deixei levar pela maré, aliás, sou muito boa em me deixar levar pela maré, empurrar com a barriga e outras expressões menos delicadas para expressar acomodação.

Então quer dizer que a roda não gira porque eu não dei o empurrão? Ahhh sei...então tá, darei ré, pegarei impulso e empurrarei, deslizarei, irei em direção ao futuro de braços e olhos abertos.

Não, não era para fazer sentido, hoje não estou fazendo sentido e não me importo, são muitos conceitos voando para todos os lados, decisões, incertezas e tristezas.

Daqui há um tempo, podem ser minutos, dias, horas, eu vou tirar a cabeça da névoa e voltarei a sorrir e a fazer sentido, só não me peça isso hoje.

Posted by LicaMoreira at 06:56 PM | Add a Comment

January 16th, 2008

Num passado distante

Quando me dei conta, vi que não escrevia aqui há muitos meses.

Falta de assunto, muito assunto, algumas coisas vividas que não precisam ser escritas, muitos escritos particulares ou muitas histórias feitas de fumaça, acho que foi um mix de todos esses motivos.

Estou muito diferente do que foi o início de 2007 muita coisa melhor, muita coisa diferente, nem melhor, nem pior, apenas diferente. Não costumo ter muitas resoluções para o ano novo, nem sapateio no passado.

De diferenças visíveis, do início do ano passado para esse, o cabelo que cresceu, o bronzeado que peguei na piscina inflável da sobrinha e três novas tatoos que me dei no decorrer do ano passado.

A outras diferenças é melhor falar em outra hora.

Posted by LicaMoreira at 03:41 PM | Add a Comment

September 4th, 2007

Na beira do uivo

Muito bem, estou beirando os quarenta anos. Fato.

Os cinco anos entre os vinte e cinco e os trinta não sei para onde foram, mas dos trinta aos trinta e nove sei sim e foram muito bons, foi como reaprender a viver. Ainda estou no processo e prevejo um último verão ainda nos trinta de arrasar

Desde que escrevi aqui pela última vez, algumas coisas mudaram na vida, outras melhoraram, mas o importante é aprender com todas elas.

Por um dia fui o jardim, sem me preocupar com a visita das borboletas ou não, apenas voltei minhas flores para o sol e sorri, deixei-as abertas para receberem a luz da lua e sorri. Recebi a chuva e continuei sorrindo, sentindo a água que gosto tanto.

Para ilustrar isso, deixo para vocês uma letra do Poetinha, que amo de paixão e que tem algumas partes que considero como mantra durante os dias turbulentos:

 Samba Da Bênção
Vinicius De Moraes / Baden Powell 
 

É melhor ser alegre que ser triste

Alegria é a melhor coisa que existe

É assim como a luz no coração

Mas pra fazer um samba com beleza

É preciso um bocado de tristeza

É preciso um bocado de tristeza

Senão, não se faz um samba não

 

(Senão é como amar uma mulher só linda

E daí? Uma mulher tem que ter

Qualquer coisa além de beleza

Qualquer coisa de triste

Qualquer coisa que chora

Qualquer coisa que sente saudade

Um molejo de amor machucado

Uma beleza que vem da tristeza

De se saber mulher

Feita apenas para amar

Para sofrer pelo seu amor

E pra ser só perdão)

 

Fazer samba não é contar piada

E quem faz samba assim não é de nada

O bom samba é uma forma de oração

Porque o samba é a tristeza que balança

E a tristeza tem sempre uma esperança

A tristeza tem sempre uma esperança

De um dia não ser mais triste não

 

(Feito essa gente

que anda por aí brincando com a vida

Cuidado, companheiro

A vida é pra valer

Não se engane, não

É uma só

Duas mesmo que é bom

Ninguém vai me dizer que tem se provar

muito bem provado com certidão passada em cartório do

Céu assinado em baixo: Deus!

E com firma reconhecida

A vida não é de brincadeira, amigo

A vida é arte do encontro

embora haja tanto desencontro pela vida

Há sempre uma mulher a sua espera

com os olhos cheios de carinho

e as mãos cheias de perdão

Ponha um pouco de amor na sua vida,

como no seu samba)

 

Ponha um pouco de amor numa cadência

E vai ver que ninguém no mundo vence

A beleza que tem um samba, não

Porque o samba nasceu lá na Bahia

E se hoje ele é branco na poesia

Se hoje ele é branco na poesia

Ele é negro demais no coração

 

(Eu, por exemplo, o capitão do mato

Vinicius de Moraes

Poeta e diplomata

O branco mais preto do Brasil

Na linha direta de Xangô, saravá!

A bênção, Senhora

A maior ialorixá da Bahia

Terra de Caymmi e João Gilberto

 

A bênção, Pixinguinha

Tu que choraste na flauta

Todas as minhas mágoas de amor

A bênção, Sinhô,  A bênção Cartola,

A bênção, Ismael Silva

Sua bênção, Heitor dos Prazeres

A bênção, Nelson Cavaquinho

A bênção, Geraldo Pereira

A bênção, meu bom Cyro Monteiro

Você, sobrinho de Nonô

 

A bênção, Noel, sua bênção, Ary

A bênção, todos os grandes

Sambistas do meu Brasil

Branco, preto, mulato

Lindo como a pele macia de Oxum

A bênção, maestro Antonio Carlos Jobim

Parceiro e amigo querido

Que já viajaste tantas canções comigo

E ainda há tantas a viajar

 

A bênção, Carlinhos Lyra

Parceirinho cem por cento

Você que une a ação ao sentimento

E ao pensamento, a bênção

A bênção, a bênção, Baden Powell

Amigo novo, parceiro novo

Que fizeste este samba comigo

A bênção, amigo

A bênção, maestro Moacir Santos

Não és um só, és tantos como

O meu Brasil de todos os santos

Inclusive meu São Sebastião

Saravá!

A bênção, que eu vou partir

Eu vou ter que dizer adeus)

 
 

Ponha um pouco de amor numa cadência

E vai ver que ninguém no mundo vence

A beleza que tem um samba, não

Porque o samba nasceu lá na Bahia

E se hoje ele é branco na poesia

Se hoje ele é branco na poesia

Ele é negro demais no coração

 

Posted by LicaMoreira at 11:54 AM | Add a Comment

July 13th, 2007

Divagando

É engraçado como às vezes a vida te dá presentes inesperados.

É engraçado como às vezes a vida te sinaliza que vai te levar algo muito importante, e leva e você sofre, mas no final...bom o final eu ainda não sei, mas por enquanto eu estou passando por isso de uma maneira muito melhor do que poderia imaginar.

Algumas vezes me pego pensando no que posso escrever aqui, no quanto me abro ou não em um veículo onde amigos, inimigos, amores e desafetos podem me ver, será que eu quero mostrar essa face para todo mundo? Acho que todo blogueiro que tem um diarinho passa por isso vez ou outra. A verdade é que às vezes quando digito textos aqui, coloco minha vida, minhas idéias e meus sentimentos em um determinado contexto que provavelmente não conseguia visualizar antes.

Tenho uma amiga que diz que eu falo difícil, talvez porque não consiga expressar sentimentos simples, afinal para mim é muito mais fácil ficar divagando sobre sentimentos do que assumir que os sinta, lidar com eles, entendê-los, sentí-los na sua plenitude e quando tiver acabado, ter a coragem de finalmente me descartar deles. Acho que um dos grandes problemas é não saber quando as coisas realmente acabam, existem situações ciclícas na minha vida, quando elas terminam ou começam novamente é um mistério.

Algo que erroneamente considerava uma verdade na minha vida ruiu, agora o jeito é tentar entender essa nova verdade que se formou. 

Posted by LicaMoreira at 05:19 PM | Add a Comment

July 2nd, 2007

Versinho

O primeiro amor passou

O segundo amor passou

O terceiro amor passou,

Mas o coração continua.

O texto não é meu, é de algum poeta famoso, não me lembro quem agora, abaixo mais um texto que não é meu, mas é muito pertinente para essa fase da minha vida:

A fila andou e entre mortos e feridos, salvaram-se todos.

Posted by LicaMoreira at 02:24 PM | Add a Comment
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